Tecnologia na Agricultura

Agricultura de precisão avança e interação entre novas tecnologias como Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial e armazenamento de dados tornam lavouras mais produtivas

A agricultura 4.0 já é uma realidade. Hoje em é dia é possível encontrar no campo o uso de tecnologias integradas que, por meio de softwares e sistemas, coletam dados cruciais e se conectam com equipamentos capazes de tornar a produção mais eficaz nas lavouras.

De fato, o uso de tecnologias da informação está reinventando a forma como a agropecuária produz, que cada vez mais se baseia no uso de Internet das Coisas (IoT) para reunir e transmitir dados cruciais nas plantações como condições de clima e solo, períodos e riscos de infestação de pragas.

Antes, as decisões nas plantações eram baseadas em experiências, intuições e históricos das colheitas. Agora, é possível ter uma produção com informações mais assertivas, com chances de menores perdas e maior produção, justamente por conta da possibilidade do acesso às informações precisas em tempo real.

Sensores terrestres, drones e sistemas de rastreamentos e estações espaciais estão sendo introduzidos no campo para captar dados e, com isso, transmitir via rede a uma nuvem para que o produtor possa tornar as melhores decisões.

Referência no que diz respeito è tendências e ao uso de novas tecnologias, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Informática Agropecuária (Embrapa) transmite informações de extrema importância para o negócio do agricultor.

Com objetivo de facilitar o acesso a esses dados tanto para quem produz tecnologias ao setor quanto para quem consome, a organização lançou a plataforma Digital AgroAPI.
A tecnologia disponibiliza informações em nuvem como condições de culturas, sistemas de produção e zoneamento agrícola.

Empresas de tecnologia, pesquisadores e agTechs, por sua vez, podem construir aplicações com base nesses dados para o produtor na ponta. “Com esse boom da tecnologia na agricultura, as companhias de TI começaram a oferecer serviços para o agro e os profissionais da área agrícola começou a contratar serviços de startups”, observa Silvia Massruhá, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária.

Para ter acesso às informações básicas de colheita dispostas na ferramenta AgroAPI, o agricultor, de qualquer município do Brasil, também pode acessar o aplicativo de celular da Embrapa Zarc Plantio Certo.

Com mais de 10 mil usuários ativos, a plataforma indica questões como a época do ano ideal para a semeadura de mais de 40 culturas, as melhores janelas de plantio, ou seja, aquelas nas quais há menor chance de frustração de safra em função de eventos climáticos adversos.

Além disso, permite acessar a lista de cultivares de 12 culturas agrícolas para localidades que são mais apropriadas. “As tecnologias digitais podem ajudar na otimização de frotas e maquinários; você consegue um trabalho mais social e otimizar os recursos, aproveitando melhor o capital humano em outras etapas mais cruciais da fazenda”, diz Massruhá.

Outra ferramenta desenvolvida pela Embrapa Informática Agropecuária é a API SATVeg, que contempla dados geográficos com séries temporais de índices vegetativos em todo o território do Brasil e da América do Sul para apoiar soluções em planejamento e gestão da produção agrícola e ambiental.

Com as nomenclaturas NDVI e EVI, esses índices indicam a presença e vigor da vegetação de determinada área e são originados de imagens de satélites disponibilizadas pela Agência Nacional de Espaço e Aeronáutica dos Estados Unidos (Nasa).

A plataforma web permite que se acompanhe, ao longo do tempo, o comportamento da vegetação em locais de interesse, como o ciclo de uma cultura agrícola, desflorestamentos e reflorestamentos.

Terreno fértil para agtechs

Integrante do programa de aceleração de startups TechStart Agro Digital, promovido pela Embrapa Informática Agropecuária e pela Venture Hub, a plataforma AgroAPI pode ser acessada por startups têm gratuito para aprimorar seus produtos e modelos de negócio durante o período de duração do programa.

Segundo estudo do Radar AgTech Brasil 2019, o mercado de agricultura digital conta com 1125 startups situadas em território brasileiro, das quais quase 90% localizam-se nas regiões Sul e Sudeste do País.

Entre as agTechs incluem-se categorias como biotecnologia, novos sistemas agrícolas, marketplaces, programas de gestão agrícolas e IoT, robótica e mecanização, tecnologias midstream, venda direta ao consumidor.

Aliás, todo esse ecossistema de inovação no agro tem tido avanço significativo graças às parcerias entre startups e grandes companhias. É o caso, por exemplo, da ConectarAgro. Trata-se de uma associação, capitaneada a partir da junção das empresas Solinftec, TIM, AGCO, Climate FieldView, CNH Industrial, Jacto, Nokia e Trimble para promover a revolução digital e levar conectividade acessível aos produtores de todo o Brasil.

Segundo das do IBGE, enquanto o número de pessoas que diz não ter acesso à rede nas cidades é de 1%, o índice no campo é de 21%, muito menor. Nesse sentido, a falta de conectividade é o maior gargalo para o avanço da agricultura 4.0.

E, pensando em mudar esse quadro, a ConectarAgro já atingiu 5,1 milhões de hectares em um ano desde o seu lançamento, em 2019, planeja oferecer conexão a 13 milhões de hectares na zona rural do País.

Se depender da iniciativa, a interação entre máquinas no campo implementada em níveis elevados não será apenas coisa de filme.

 

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