Crise causada pela pandemia não atrapalha a venda de carros de luxo

Setor de carros de luxo contraria queda nas vendas de outros segmentos da economia e vai muito bem, obrigado

Enquanto o setor de veículos utilitários e outros segmentos do varejo sofrem a crise econômica causada pela pandemia o mercado de carros de luxo parece estar imune ou, pelo menos, sentindo em proporções bem reduzidas o impacto do que vem acontecendo no mundo.

Para se ter uma ideia do quanto as marcas de luxo demonstram certa resistência em meio ao momento conturbado no qual vivemos, de acordo com a corretora de seguros 3 SEG, que atende cerca de 60% do mercado no país, o volume de apólices para essa categoria de veículos, tanto esportivos quanto de coleção, teve um crescimento de 49% no primeiro semestre de 2020.

Segundo a empresa, a linha Porsche teve uma valorização muito considerável, ao lado de McLaren e RAM. Uma das marcas de superesportivos mais famosas, a Ferrari teve queda de apenas 0,9% no primeiro trimestre deste ano, segundo o balanço apresentado pela grife.

Por outro lado, grandes fabricantes mundiais tiveram um baque significativo: a Ford recuou 15% e a General Motors teve queda nas vendas da montadora nos Estados Unidos, seu maior mercado, de 7% de janeiro a março, segundo a consultoria IHS Markit.

A atuação de certa forma positiva da Ferrari fez com que a marca tivesse um crescimento de 7% no seu valor de mercado (hoje, ela custa 30,1 bilhões na Bolsa de Valores de Nova York).
Se tratando de cenário brasileiro, na Paíto Motors, loja localizada em Araras (SP) que vende carros importados seminovos e zero KM a partir de R$ 1 milhão, os reflexos da Covid-19 não apareceram por lá, ao que tudo indica.

Atraindo a atenção de clientes do Brasil inteiro com modelos em seu portfólio de vendas como Mercedes G63 AMG, Porsches 918 Spider e McLaren Senna (estes dois últimos de edição limitada), o estabelecimento tem uma saída de 60 carros por mês.

Com 240 mil seguidores no Instagram sendo que a maioria dos clientes encontram a loja por essa rede social, a Paíto Motors teve os meses de junho e julho de 2020 os melhores meses da história desde seu surgimento, é o que aponta a reportagem no Brazil Journal (clique aqui para ler).

Na Natta Motors, loja e consultoria para vendas de carros premium, o repertório neste período de pandemia é bem parecido com o da Paíto. Com uma média de número de veículos comercializados antes da crise em torno de 25 unidades por mês, a loja atingiu entre maio, junho e julho uma média de 34 carros por mês, um aumento de quase 40%.

Igor Diogo, sócio-presidente da Natta Motors, analisa dois aspectos para o ambiente favorável no seu segmento: o financeiro e o psicológico. “No aspecto financeiro, acredito que as pessoas gastaram menos dinheiro com lazer e vestuários nestes últimos meses, não tiveram viagens para o exterior ou até mesmo as nacionais com toda a família.”, observa.

Ele complementa dizendo que também teve a questão dos restaurantes e shopping centers fechados, que ficaram fechados por conta da pandemia, e, com isso, não existiram estes gatos mensais, além de custos extras com os filhos. “Com o fato de ter economizado um pouco mais, o consumidor acabou tendo mais dinheiro e, assim, viu uma oportunidade de dar ‘upgrade’ no carro.”, ressalta.

“Em relação ao aspecto psicológico, passamos por um momento depressivo e fazer a compra de um bem de alto valor sacia um pouco isso, nos anima.”, finaliza Diogo.

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