Quais são os motivos que fazem o setor de máquinas agrícolas continuar bem mesmo na pandemia

Desde que começou a pandemia no começo do ano, o setor de máquinas agrícolas foi o único no cenário da indústria automotiva que não vem sofrendo tanto com o impacto da crise e demonstra estar reagindo muito bem.

Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (ANFAVEA), houve um crescimento de 15,6% nas vendas de máquinas agrícolas e rodoviárias em julho deste ano ao comparar com o mês anterior e um crescimento de 14,4% em relação ao mesmo período de 2019.

Já em maio foram negociadas 3,8 mil unidades, 61% a mais que em abril e 23,3% acima de maio do ano passado. A produção teve um resultado positivo: a alta foi de 53,8% em julho na comparação com o mês anterior, porém uma queda de 17% em relação a julho de 2019.

Segundo Eduardo Kerbauy, diretor de Mercado Brasil da New Holland Agriculture, fabricante de tratores e colheitadeiras, a expectativa para este ano é o mercado fechar de forma parecida com o ano passado (cuja comercialização no Brasil foi de 43 mil e 700 máquinas).

Apesar da pandemia, ele aposta em uma perspectiva de crescimento para o setor de máquinas de até 10% no ano. “De modo geral, o produtor rural está bem capitalizado, com o preço das commodities agrícolas em alta, dólar valorizado e uma safra recorde que foi colhida, e ainda por cima com boas perspectivas para o próximo ciclo”, destaca Kerbauy.

Vale ressaltar que o setor do agro foi impulsionado este ano pelo incremento na produção de grãos, que deve bater novo recorde com 252 milhões de toneladas até o final da safra.
Segundo Kerbauy, um motivo forte que se explica a demanda por máquinas agrícolas como plantadeiras, colheitadeiras e tratores é a adoção de novas tecnologias no campo.

“É uma das formas mais rápidas e viáveis de o agricultor aumentar a sua produção sem necessitar, por exemplo, adquirir mais terras, já que o preço para ampliar a propriedade muitas vezes é inviável”, diz.

Eduardo Kerbauy afirma que outro ponto para o investimento em máquinas não ter retraído é que, com a valorização das commodities agrícolas e do câmbio, o produtor de um modo geral está mais capitalizado.

“É importante para ele aumentar a produtividade da sua lavoura, desperdiçando o mínimo possível de insumos como fertilizantes, que são caros, e otimizando o trabalho como um todo. E para isso é imprescindível investir em máquinas modernas, com pacotes tecnológicos embarcados.”, destaca.

As máquinas e os equipamentos modernos conseguem captar e transmitir uma infinidade de dados sobre a operação da lavoura, como taxa de plantio, condições do solo e consumo de combustível. Essas informações vão alimentar uma agricultura de precisão que ajuda o produtor a otimizar a sua produção no campo.

“Também ajuda no aumento da eficiência do uso de defensivos, pois tudo é muito mais controlado”, pontua. Embora o segmento siga otimista, é impossível fechar os olhos para o impacto da pandemia na alta do dólar, e, com isso, houve aumento do preço do maquinário agrícolas que conta com componentes importados.

“A crise afeta o consumo e a produção de bens para exportação, além de impactar os produtores que trabalham com hortifruti. Além disso, o agricultor não está isolado do que acontece ao redor dele. Muitos são agricultores, mas têm filhos que não trabalham na área e podem estar passando por alguma dificuldade. Isso acaba fazendo com que muitas vezes o produtor segure o dinheiro no bolso e postergue investimentos em novos maquinários, por exemplo.”, analisa.

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